Antes de começar a escrever este Prefácio tenho de fazer uma declaração de interesse. Sou admirador do Ricardo Andorinho há muitos anos. Por isso, caro leitor, posso não conseguir ser suficientemente imparcial. Não sei se é isso que se espera de alguém que escreve estas linhas prévias, mas, na dúvida, já está. Não serei imparcial. Conheço o Ricardo há alguns anos. Ainda longe da era Web, de que ele tanto gosta, já o conhecia como um dos mais geniais andebolistas que alguma vez conheci. Nunca ele tinha ouvido falar do meu nome e já eu era seu fã. Mas fã mesmo. Gostava da elegância, da inteligência mas, acima de tudo, da energia que colocava em cada ação do jogo. Sempre foi um prazer ver atletas assim. Porque sempre acreditei que quem é assim “inteiro” a jogar o será, certamente, na vida. E não me enganei. Este livro é bem prova disso. De resto, para o demonstrar citarei algumas frases que utiliza nesta sua obra. Aqui vai a primeira: “Resta-me dizer que escrever este livro foi um ato de amor”. Não me surpreende que o Ricardo faça de cada ato da sua vida, um ato de amor. Fê-lo enquanto atleta de alto rendimento, fá-lo agora na sua vida profissional. Se ler atentamente as páginas que se seguem, rapidamente perceberá que este livro é um conjunto de estratégias que nos poderão ajudar a decifrar algumas das nossas equações da vida porque, ou não colocamos todas as variáveis em análise, ou porque não as entendemos. E este livro ajuda-nos a raciocinar de forma ordenada, “step by step”. Mais à frente, o autor diz “Eu adoraria que você experimentasse apenas 50% da confiança com que eu enfrento os desafios da vida, sejam eles novos ou desafios antigos”. Quem fica indiferente a uma afirmação destas? É claro que quem não conhece o autor, poderá entender esta afirmação como mais uma incursão naquilo que hoje se convencionou chamar de “intervenções motivacionais”. Tenho de ser honesto, sempre desconfiei destes novos “evangelistas” que, à falta de melhor ocupação, ganham a vida a motivar os outros inspirando-se em forças ocultas que só eles dizem possuir. Não é este o caso do Ricardo. Ele fala porque sentiu, sente, viveu e vive essa força interior amplamente demonstrada ao longo da sua carreira.
PREfáCIO
por José Soares – Professor Catedrático de fisiologia na faculdade de Desporto – Universidade do Porto




